Novo aeroporto deve injetar R$ 6 milhões na economia
(Juiz de Fora, 20 de julho de 2010) - O Aeroporto Regional da Zona da Mata (ARZM) pode entrar em operação, de fato, no primeiro semestre de 2011. Só no primeiro ano, deve injetar cerca de R$ 6 milhões na economia regional, com a contratação de 48 funcionários diretos e outros 150 indiretos, além de serviços terceirizados. Esta é a expectativa da Multiterminais Alfandegados do Brasil, empresa que assumiu o controle administrativo e gerencial do sítio aeroportuário. Em entrevista exclusiva à Tribuna, o diretor Ricardo Vega disse que a cifra pode quintuplicar, conforme o desenvolvimento do aeroporto. A meta é transformá-lo em “hub logístico” de comércio exterior, concentrador de cargas aéreas que serão distribuídas ao seu destino final. Embora o foco seja o transporte de carga nacional e, futuramente, internacional, Vega não descarta a possibilidade de tornar o ARZM opção para transporte de passageiros. Para isso, pretende realizar investimento milionário em segurança.
“Uma vez operando em condições excelentes de segurança, o aeroporto pode sim ser uma opção para os aviões de passageiros não só de Juiz de Fora mas também de outros aeroportos próximos.” Segundo Vega, o investimento adicional de R$ 5 milhões, além dos R$ 6,4 previstos no contrato assinado junto ao Governo do estado, será direcionado à melhoria da segurança aeroportuária. De acordo com ele, a empresa está negociando a aquisição de equipamentos de última geração com um fornecedor alemão, especializado em softwares de controle e equipamentos para pousos e decolagens por instrumentos.
A eficiência logística é a segunda prioridade neste momento. Vega avalia que, após a crise de 2008, as empresas diminuíram as mercadorias de “chão da fábrica”, preferindo pagar mais pelo transporte aéreo a manter estoques elevados. “Se garantirmos a eficiência logística com custos compatíveis, atrairemos também aviões e cargas destinadas a outras regiões do país.” A previsão de movimentação inicial gira em torno de 500 toneladas mensais.
Vega também cita a preocupação com o entorno aeroportuário. A disponibilização do acesso ao aeroporto, que ligará a MG-353 à BR-040, é considerada “muito importante”. Para ele, não ter um bom acesso rodoviário é um ponto negativo para o desenvolvimento da aviação executiva e atração das indústrias a serem instaladas. Ele também cita a licitação, prevista para o dia 23, para remoção do morro na Zona de Proteção do Aeroporto e implantação de área de segurança e sinal de pista nas duas cabeceiras. Para o diretor, essas obras vão permitir a utilização de toda a extensão atual da pista, viabilizando pousos e decolagens de aviões de grande porte, considerados fretes aéreos mais competitivos. De olho na internacionalização, Vega destaca a importância de os planos diretores dos municípios do entorno considerarem as necessidades do sítio aeroportuário. “Nós temos uma oportunidade rara de operacionalizar o ARZM adequando as melhores práticas mundiais. Não podemos desperdiçar esta chance única.”
Transição Na semana passada, representantes da Multiterminais se reuniram com a superintendência da Infraero, em Belo Horizonte, com o objetivo de iniciar o processo de transferência de administração e operação, que não deve ser atropelado, para evitar “improvisações”. Para o início do funcionamento, ainda falta a concessão de algumas licenças, diz Vega. Uma das metas é conseguir, junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), homologação também para voo por instrumento noturno, já que o transporte de cargas acontece durante todo o dia. O diretor também destacou o compromisso firmado com os prefeitos de Goianá e Rio Novo para contratação de mão de obra local, desde que não sejam serviços especializados, como operadores de radiocomunicação e meteorologista.
Sobre o fato de a empresa ter sido a única inscrita na licitação, Vega avalia que a Multiterminais se tornou “licitante natural” diante da vocação natural do ARZM para carga e a “sinergia” com o Porto Seco de Juiz de Fora, completando a cadeia logística “de forma extraordinária”. Segundo ele, os estudos demonstram que o empreendimento tem viabilidade. “Mas empreender é isso: tomar riscos calculados e ser cuidadoso na condução do processo.” O contrato da Multiterminais Alfandegados do Brasil é pelo prazo inicial de doze meses, podendo ser prorrogado por até cinco anos. A empresa já opera no Porto Seco de Juiz de Fora.
Fonte: Jornal Tribuna de Minas
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