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12Set

Novas regras provocam apagão de motofretistas na cidade


por: Jornal Tribuna de MInas

Juiz de Fora vive um apagão de mão de obra no setor de motofrete. A redução do número de entregadores devido à regulamentação da atividade pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tem prejudicado o atendimento à demanda por encomendas na cidade. As regras definem que o motofretista deve ter mais de 21 anos e pelo menos dois anos de habilitação (ver quadro). O setor de alimentação é o mais impactado, e alguns estabelecimentos têm sido obrigados a cancelar o serviço de delivery em decorrência da escassez de trabalhadores, conforme informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Regional Zona da Mata. Segundo a Associação dos Motoentregadores de Juiz de Fora (AME-JF), a estimativa é que o número de profissionais que atuam no município caia mais de 40%, passando de quase 6.000 para 3.500, quando todas as regras previstas no documento em vigor desde o início de agosto estiverem implementadas.

O diretor da Abrasel, Marcos Henrique Miranda, atribui ao horário noturno, "o mais penoso", a dificuldade do setor em encontrar mão de obra para a atividade. "Eles estão optando por trabalhar durante o dia e deixando o atendimento a bares e restaurantes como última opção, diante de tantas oportunidades. Por isso, houve um estrangulamento dessa força de trabalho, e alguns estabelecimentos se viram obrigados a encerrar o serviço de entrega, o que representa um prejuízo razoável."

O presidente da AME-JF, Antônio Carlos Lourenço, diz que a redução da oferta de trabalho já era esperada, devido à regulamentação. "Muitos dos que atuavam não têm mais de 21 anos, dois anos de carteira de habilitação ou condições de arcar com os custos para a regularização do veículo, por isso precisaram abandonar a profissão", explica. "Com isso, houve também uma valorização do nosso trabalho, então, se eu posso ganhar R$ 7 por entrega durante o dia, por que iria aceitar ganhar R$ 3,50 à noite, quando é mais complicado e perigoso? Ninguém quer."

A psicóloga Giselle Loures, 32 anos, já sentiu a demora para a entrega das refeições que pede em casa cerca de três vezes por semana. "Tem dias que chego a ficar uma hora e meia esperando. Ligo várias vezes para reclamar, mas mesmo os estabelecimentos que avisam que vai demorar não falam o tempo real. Quando dizem que chegará em quarenta minutos, já sei que levará, pelo menos, o dobro", conta a consumidora, que costuma solicitar delivery à noite, horário de maior demanda.

 

 

Empresas reclamam de prejuízo nos negócios

Atualmente, na lanchonete Mary Milk, no São Mateus, os clientes são avisados no momento do pedido que a espera mínima é de uma hora. A média de entregas por dia é de 200 pedidos. Não faz muito tempo que o limite de tempo máximo para a entrega do lanche era de 40 minutos. Segundo o gerente da casa, Hugo Costa Pena, os entregadores, que costumavam sair com duas encomendas, agora precisam levar cinco por vez para atender a todas as solicitações. "O serviço está muito precário. Chegamos a perder vendas por falta de quem entregue", afirma.

No Dago's, na Rua Santo Antônio, a situação não é diferente. De acordo com a funcionária Joelma Carneiro, há dias em que o serviço é cancelado por não haver motofretista disponível. "Está um problema sério, porque eles param cedo, por volta das 19h, e o movimento maior é à noite."

As empresas especializadas em entregas também têm perdido negócios. Na Ligmoto Express, com sede no São Mateus, 22 funcionários entregam as encomendas em domicílio. Mas, segundo o proprietário, Luiz Cláudio de Carvalho Muniz, seriam necessários 30 motoboys para atender à demanda. "Coloco anúncio no jornal todos os dias, mas não aparece ninguém. Tive que abrir mão de alguns clientes, porque não tem profissional. Minha firma está estagnada por carência de mão de obra", reclama.

A Mototex Entregas Rápidas, localizada no Paineiras, é outra que sofrido com o apagão de motoboys. "Temos que dispensar entregas porque não há gente suficiente para realizá-las. Temos apenas cinco entregadores e precisaríamos de mais gente. Porém, desde que a regulamentação entrou em vigor, não conseguimos encontrar profissionais", diz a funcionária Alaisiane Silvério.

 

 

Entregadores têm até 17 de outubro para regularizar documentação

A Resolução 356 do Contran, que estabelece requisitos mínimos de segurança para motofretistas, entrou em vigor há pouco mais de um ano, tendo o prazo para que os condutores se adequassem às exigências previstas no Código Brasileiro de Trânsito terminado no último dia 4 de agosto. Entretanto, após protestos de motoboys em São Paulo e Rio de Janeiro, o Contran adiou a adoção de parte das novas regras para fevereiro do ano que vem. Foi o terceiro adiamento desde que a norma foi aprovada, em 2010. A categoria questiona, entre outros pontos, as exigências para a obtenção da licença profissional, o que inclui a realização de curso de formação. Em Juiz de Fora, os entregadores têm até 17 de outubro para regularizar a documentação das motocicletas, adquirindo a placa vermelha.

Mais de 200 motoentregadores juiz-foranos chegaram a realizar protesto, em 10 de agosto, reivindicando mais pontos de embarque e desembarque no Centro e questionando a impossibilidade de transportar carona quando não estão em serviço. Uma semana depois, a Setrra liberou o transporte do garupa, desde que a moto esteja sem o compartimento de carga. Com a ata da reunião realizada no dia 17 assinada por representantes das polícias Civil e Militar, do Detran e de empresas de inspeção veicular, mesmo os profissionais que possuem no CRLV a inscrição para apenas um lugar na motocicleta não serão multados pelos agentes de trânsito e PMs. O transporte de latas de tinta, outro ponto polêmico, também está permitido até que seja esclarecido quais tipos de produto estão incluídos no artigo que proíbe cargas tóxicas.


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