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30Ago

Despertar da juventude?


por: Frederico Binato

A contradição sempre ocupou o universo da civilização. Seja em tempos de conquistas, seja em tempos de recolhimentos. Hoje não é diferente.
Vemos um mundo "conectado" e num clique estamos lá "sabendo de tudo."
No entanto, percebe-se, com meridiana clareza, um isolamento assaz evidente. Essa mesma oportunidade de globalização, nos tem levado a um isolamento cada vez maior.
Falta calor humano, falta conversa, diálogo, falta leitura e solidariedade nas relações humanas. A busca efêmera pelo fausto é o ingrediente que fomenta essa superficialidade.
Então, de se indagar: O que o povo que estava na rua no mês de junho queria, pouco importa se consciente ou inconsciente?
Para o escritor francês François-René de Chateaubriand (1768-1848): "Nada é mais forte do que uma ideia quando chegou o momento de sua realização".
Possuímos uma jovem democracia e estamos vivendo o seu período mais longo. É aí que podemos enxergar um sinal alvissareiro nessas manifestações. Se a democracia não é o melhor dos regimes, ainda não inventaram nada que o supere. Em outras palavras, já dizia Aristóteles.
É nela que sobressaem as contradições, se respeitam as minorias, as diversidades de opiniões, a alternância de poder, o equilíbrio entre os poderes, o respeito à lei e a supremacia da Constituição.
Voltando às manifestações, as tenho como um lampejo de anseio pela democracia, ainda que inconsciente, porém, fruto de uma sensação de liberdade ínsita do ambiente democrático.
O Brasil vem perdendo seu complexo de vira-lata nos últimos anos, o caráter de nosso povo é o reflexo de sua liberdade política, muito embora as tentativas de recolonização nos batam à porta com frequência. Leitura e democracia em fortes e repetidas doses haverão de nos fazer crescer muito mais saudáveis do que o lendário Biotônico Fontoura!!!!!
O republicanismo do poder constituinte originário, que autorizou uma constituição exemplar, e a nossa o é, cai no esquecimento rapidamente....sofismas, eufemismos, são subterfúgios laterais para justificar a falta de compromisso do mandato e ignorar o seu verdadeiro detentor que é o povo, como assim já decidiu o STF.
Todavia, vimos nas manifestações que temas que deveriam ser discutidos no cotidiano, como mobilidade urbana, médicos para todos, segurança, dentre outros, são de pleno conhecimento da população, apesar desta ser subestimada em seus anseios.
Outra questão não menos importante e que sobressaiu e ganhou destaque foi a democratização da mídia, visto que, como bem disse o Papa Francisco, os jovens não devem se deixar serem manipulados. E foi exatamente pela heterodoxia das redes sociais que o movimento se organizou, também dizendo para o meios de comunicação conservadores que não somos reféns daquilo que lhes é conveniente.
Isso tudo me fez lembrar o clássico da literatura " Demian" de Hermannn Hesse, em que o jovem Sinclair questiona o mundo diante da falta de respostas para suas angústias e convenções de seu tempo.
Será que estamos caminhando para o fim do mais do mesmo?

Frederico Binato
Advogado da banca Moura Tavares

 


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