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08Out

Apelo à renovação leva Bruno e Margarida ao 2º turno


por: Jornal Tribuna de Minas

Encerrou-se ontem, mas precisamente às 20h15, o ciclo iniciado em 1983 pelo ex-prefeito Tarcísio Delgado (sem partido) e prosseguido sucessivamente pelo ex-prefeito Alberto Bejani (PSL) e pelo prefeito Custódio Mattos (PSDB), que se revezaram à frente da Prefeitura de Juiz de Fora nos últimos 30 anos. Na noite de ontem, a maioria dos eleitores juiz-foranos, em um apelo à renovação, colocou o candidato Bruno Siqueira (PMDB), com 115.267 votos, e a candidata Margarida Salomão (PT), com 106.487 votos, no segundo turno das eleições. Disputando à reeleição, que lhe renderia uma terceira gestão, Custódio acabou ficando apenas em terceiro lugar com 60.378 votos. O próprio tucano resumiu o sentimento das urnas: "Votaram pela renovação. Só me cabe acatar." A candidata Vitória Mello (PSTU) terminou a disputa com 2.757 votos, e Laerte Braga (PCB) com 1.422 votos. Marcos Paschoalin (PR), ainda com registro de candidatura sub judice, não teve seus 939 votos contabilizados. Cerca de 25% do eleitorado não compareceram às urnas ou votaram nulo ou branco.

 

Bruno quer aprofundar propostas

Após a vitória nas urnas, Bruno ressaltou que sempre acreditou que estaria no segundo turno. O peemedebista garante que todo seu planejamento de campanha foi realizado com a certeza de que avançaria, com a perspectiva de um período maior para aprofundar suas proposições para a cidade. "Amanhã já iniciaremos nosso trabalho para o segundo turno, tentando conquistar os eleitores de Custódio, Victória, Laerte e Paschoalin, e, até mesmo, aqueles que votaram na outra candidata."

O domingo vitorioso foi garantido pela confiança de pouco mais de 115 mil eleitores, aos quais Bruno mandou um recado. "Quero agradecer a todos que acreditaram em nosso projeto, que pretende não só mudar, mas também melhorar nossa cidade." O peemedebista minimizou a busca por alianças e desconversou sobre um possível apoio de Custódio. Nas últimas semanas, o candidato foi alvo de críticas por ter declarado voto ao atual prefeito em pleitos anteriores.

"O cidadão que, em eleições passadas, votou no ex-prefeito Alberto Bejani ou em Custódio Mattos, deu seu voto de confiança. Ele não é responsável pela má administração ou pelos erros que tenham cometido. O que queremos é unir os governos federal e estadual para fazer com que os dois possam ajudar com recursos projetos importantes, como o Hospital Regional da Zona da Mata. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) está nos apoiando e já abriu as portas para isso." Ontem, Paschoalin declarou à Tribuna seu anseio em apoiar o peemedebista no segundo turno.

Comemoração


O dia feliz de Bruno começou cedo. Acompanhado por familiares, correligionários e seu candidato a vice, o jornalista Sérgio Rodrigues (PMDB), o candidato votou pela manhã, em uma faculdade no Bairro Alto dos Passos, onde fez uma avaliação positiva da campanha. "Nosso trabalho teve participação popular. A partir da discussão com a comunidade, apresentamos propostas fundamentais para a cidade." Após o fechamento das urnas, o peemedebista optou por acompanhar a votação de forma discreta, e evitou a imprensa.

Com o primeiro lugar garantido e acompanhado pela esposa, Bruno seguiu para o comitê central do PMDB, no Poço Rico, onde foi recebido com festa e fogos de artifício por uma militância confiante. "Deixo a decisão para a população. É muito importante respeitar os desejos da população. Estou preparado para administrar Juiz de Fora. Se for essa a vontade da população farei isso com muita responsabilidade, trabalho e ética."

 

'Cidade precisa debater mais'

Foi com um discurso sereno, mas também aguerrido, que Margarida agradeceu à militância e convocou-a para seguir forte na disputa do segundo turno. "Quero agradecer a todo mundo que lutou até agora, essa lindíssima militância, como não há outra na cidade", discursou. "Temos um cenário agora com duas candidaturas muito competitivas. Acumulemos então nossa alegria e energia para a próxima etapa." A petista surpreendeu sua própria equipe de campanha e chegou ao Ponto de Encontro antes do encerramento da apuração, quando pouco mais de 80% das urnas haviam sido contabilizadas. No momento em que apontou na porta, contudo, o jingle, que já estava tocando dentro do comitê suprapartidário, foi entoado com ainda mais intensidade, chegando a ser cantado à capela quando o volume do som foi reduzido para o pronunciamento da candidata.

Em seu discurso, Margarida voltou a reforçar a proposta de mudança - palavra que tem enfatizado desde o início da campanha. "Não é fácil fazer a mudança. Isso requer resistência, requer inteligência", conclamou, citando o falecido presidente Tancredo Neves - que, por ironia, é avô do senador Aécio Neves (PSDB), cabo eleitoral de maior destaque de Custódio e que, diante deste resultado, provavelmente caminhará com Bruno. "Como no chamado de Tancredo, não podemos nos dispersar. Temos é que nos multiplicar." Apesar de ter apostado na possibilidade de uma vitória no primeiro turno até a reta final, a petista se mostrou tranquila ao avaliar a resposta das urnas como uma necessidade dos eleitores juiz-foranos de aprofundar o debate e diferenciar as candidaturas do PT e do PMDB. "A cidade está nos dizendo que precisa debater mais."

Embora a apuração ainda não estivesse encerrada, ela também comemorou o prenúncio de reeleição da bancada do PT (que acabou reelegendo dois dos três atuais vereadores). "O prefeito não conseguiu se reeleger, mas nós reelegemos os vereadores do PT. E agora vamos trabalhar para eleger a prefeita do PT", reforçou, sob aplausos intensos de militantes e apoiadores. Mais cedo, quando votou no Colégio Machado Sobrinho, no Centro, ela também mostrou otimismo. Acompanhada do candidato a vice, José Roberto Maranhas (PSB), Margarida entrou na cabine exatamente às 10h13 e, em poucos segundos, concluiu sua votação. Sorridente, deixou o local com um aceno positivo. "Nós fizemos uma boa campanha, ouvindo as pessoas, estando presente ao maior número possível de lugares, buscando representar da forma melhor a nossa coligação. Espero que o eleitor de Juiz de Fora me conceda a honra de vir a ser a prefeita da cidade. Quem está com a palavra é o cidadão." 


O resultado do primeiro turno confirmou a tendência de crescimento na reta final da campanha de Bruno Siqueira. Ele apareceu à frente de Margarida apenas na última pesquisa Ibope/Tribuna de Minas/TV Integração divulgada na semana passada. Em todos os outros levantamentos, a petista aparecia isolada na frente, com chances de vitória em apenas um turno. Sua queda nas últimas semanas, bem como a virada do peemedebista, foram minimizadas pelos dois concorrentes ontem após a divulgação dos resultados. Mesmo que em contextos diferentes, Bruno e Margarida trataram o segundo turno como uma nova eleição, sem favoritismo. "Amanhã já iniciaremos nosso trabalho para o segundo turno. Tentando conquistar ao máximo os eleitores que votaram nos outros candidatos, e até mesmo aqueles que votaram na outra candidata", explicou o candidato do PMDB. Para a petista, o momento agora é mais propício ao debate. "Foram colocadas duas candidaturas que pareciam de oposição à atual Administração. Vamos ter que clarear isso. A cidade quer que a gente explicite que candidaturas são essas."

 

A questão colocada por Margarida quanto à candidatura que melhor representa a oposição ao Governo Custódio é sintomática em relação à sua certeza quanto ao apoio tucano a Bruno. Ainda de uma forma tímida, até para não soar desrespeitosa, interlocutores das mais variadas matizes partidárias iniciaram, já na noite de ontem, conversas com o Palácio Tiradentes para colocar o governador Antonio Anastasia (PSDB) e o senador Aécio Neves (PSDB) como padrinhos de uma aproximação com a candidatura peemedebista. O próprio Custódio, mesmo não querendo falar de forma direta sobre o assunto, citou como um dos interlocutores a ser ouvido no processo de definição de apoio seu filho e vereador reeleito Rodrigo Mattos (PSDB), com quem Bruno sempre teve um bom relacionamento. Tão logo o apoio do PSDB seja confirmado ao peemedebista, o PT vai tentar de forma insistente vincular ao bônus dos 60.378 votos conquistados por Custódio aspectos negativos do atual Governo. No mesmo contexto, os petistas devem retomar o discurso de que a candidatura de Bruno seria um plano "B" do Palácio Tiradentes.

 

O apoio do PSDB é tratado com muita cautela pelo PMDB. O receio é justamente em relação à possibilidade de incoerência frente às críticas à Administração encampadas por Bruno no primeiro turno. Por outro lado, dirigentes e coordenadores da campanha peemedebista sabem que, por conta da rivalidade nacional entre PSDB e PT, dificilmente um tucano debandaria para as fileiras petistas. Isso sem contar no fato de Aécio ser o virtual candidato à Presidência da República em 2014 pelo PSDB justamente no confronto com a presidente Dilma Rousseff (PT). O problema é justamente mensurar até onde Bruno pode avançar em relação ao legado do PSDB. Por ora, é certo apenas que as conversas vão acontecer, mas sem prazo para definição. Um pesquisa encomendada pela direção de campanha, que deve ir para as ruas hoje, deve nortear os próximos passos do candidato. Mantendo ou ampliando a dianteira em relação a Margarida, a tendência é de que Bruno faça um segundo turno, ironicamente, no estilo "Lulinha paz e amor", sem espaço para o confronto direto.


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